Esta semana vimos uma reação tola à um anuncio das sandálias Havaianas. Até compreendo que para um público pequeno, existam simbolismos na peça publicitária que tenham provocado desconforto, tanto a atriz escolhida, como trocar o pé direito pelos dois pés.

Tolice! Pura tolice!

Como diz o professor Dr José Geraldo de Souza Junior da UNB, atualmente existe um vazio intelectual em parte da sociedade brasileira. Como ele bem explica, questões complexas como a própria política, estão sofrendo simplificações extremas, a ponto de restar apenas os simbolismos e inimigos ocultos. Sendo esta uma forma de engajamento desta parcela da sociedade sem a necessidade de qualquer racionalidade. Rubens Casara em seu livro “A construção do idiota” relata detalhadamente e com profundidade este mecanismo que ele chama de processo de idiossubjetivização. Esta metodologia não é casual, é muito bem pensada para engajar pessoas que ja possuam algum apreço com os valores e símbolos construídos, de forma a defender estes interesses da extrema direita de forma incondicional. Esta cooptação e os processos de retroalimentação se dão pelas redes sociais, explorando os vieses cognitivos destes indivíduos, reforçando pelos algoritmos das redes sociais, como descrevo em detalhes no meu livro “O Panspectron: como as redes sociais estão moldando a realidade“.

Vi no Linkedin uma série de análises, pareceres e opiniões a cerca dos “impactos” de tal peça publicitária no valor de mercado e na marca. Analises diga-se de passagem extremamente parciais, e não, isentas e imparciais como devem ser.

Nas análises de mercado, falam de queda das ações, perdas substancias de valor de mercado, e quem não opera a bolsa de valores pode até achar plausível, entretanto estas flutuações ocorrem permanentemente e raramente são influenciadas por noticias e ou eventos indiretos, e quem fala isso são dois grandes nomes do mercado financeiro: Horward Maks e Charles Munger. E de fato, vamos aos dados, temos abaixo um gráfico de candles com periodicidade de um dia.

Observe o gráfico, que no último dia de pregão, em 23/12/25, o valor das ações subiram 8,73% e superou o pico anterior de duas semanas atrás, o movimento da sexta feira apontou uma pequena queda, mas com grande resistência, observe o tamanho do pavio, isso indica que especuladores tentaram baixar o valor da ação, mas o mercado estava em alta por isso o corpo pequeno. Na segunda abriu tentando uma nova baixa e houve uma grande disputa de preço, ficando o corpo no meio de dois pavios com tendência de alta, e na sexta o valor subiu igual um foguete!

Quanto as análise de marketing, tais analistas enviesaram suas análises para confirmar suas parcialidades, e provar que a publicidade foi um mal negócio, mas será? Videos e relatos de lojas lotadas, faturamentos astronômicos na véspera de Natal apontam o contrário. Mas só o tempo dirá, e este tempo é agora, daqui a uma semana ou quinze dias. Ainda com relação à marca, estes analistas parciais falam que foi maculadas, que deveria existir um plano de contingência, mas fica a pergunta: Atualmente os eleitores da extrema direita representam pouco mais de 30% da população, destes presumo que uma parcela ainda menor se importou com os simbolismos da peça publicitária, com um vídeo ou outro destruindo suas sandálias, ou pateticamente pulando no pé direito em frente as lojas das Havaianas.

Tudo isso apenas reforçou o nome “Havaianas” no subconsciente das pessoas, pouco menos de 70% do mercado acaba percebendo isto de forma positiva. E mais uma vez deixo claro, vamos ver o tempo responder.

Mas a pergunta que precisa ser respondida não é sobre sandálias, mas onde esta a comprovação dos 450 mil reais em dinheiro vivo encontrados no apartamento do lide do PL, e como o motorista dele, com um salário de R$ 4.000 movimentou 11 milhões em três anos?


João Carlos Rebello Caribé

Consultor em otimização empresarial, com foco em inovação estratégica, gestão do conhecimento, gestão de projetos e processos, e micropolítica corporativa. Professor em MBA em disciplinas das áreas de gestão Empresarial, Marketing, Logística e Recursos Humanos. Mestre em Ciência da Informação pela UFRJ (PPGCI) com o tema “Algoritmização das relações sociais, criação de crenças e construção da realidade”. Empreendedor desde o início de sua carreira, foi sócio em quatro empresas desde então. Com a chegada da Internet no Brasil no final dos anos 90, desenvolveu uma empresa revolucionária, a Flash Brasil, tornando-se referência com um modelo de negócios inovador envolvendo comunidades virtuais com milhares de profissionais. Foi conselheiro para o primeiro Conselho de Coordenação da NETmundial Initiative, junto com profissionais como Jack Ma (Alibaba), Christoph Steck (Telefonica), Penny Pritzker (Departamento de Estado Americano), James Poisant (WITSA), Lu Wei (Ministro do Ciberespaço Chinês), Jean-Jacques Subrenat (EURALO), dentre outros. Também foi membro do Comitê Executivo da NCUC na ICANN, representando a sociedade civil da América Latina e Caribe. Participa da Internet Society Brasil, Coalizão Direitos na Rede, Red Latam, Comunidade Diplo, Dynamic Coalition on Network Neutrality e Global Net Neutrality Coalition, Laboratório em Rede de Humanidades Digitais (LarHud) e Estudos Críticos em Informação, Tecnologia e Organização Social (Escritos).

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